Teatro da lusofonia traz peças inéditas

A terceira edição do Festival de Teatro de Língua Portuguesa (Festlip), que se realiza de 14 a 25 do próximo mês, no Rio de Janeiro, Brasil, vai contar com a participação inédita dos oito países lusófonos, confiirmou ao Jornal de Angola, a directora artística do festival, Tânia Pires.
Tânia Pires frisou que para a presente edição do festival, que vai homenagear a actriz portuguesa Maria do Céu Guerra, está prevista a realização de 40 espectáculos, com entradas francas, por 15 grupos teatrais lusófonos, sendo dois de Angola (Miragens e Dadaísmo), Companhia Novo Ato, Os Fofos Encenam e Barracão Cultural (Brasil), A Barraca, Trigo Limpo e Binólogos (Portugal), Teatro Mericional e Centro Cultural do Mindelo (Cabo Verde), Companhia de Teatro Gungo (Moçambique), Grupo de Arte Lorosae (Timor Leste), Grupo Fôlô Blagi (S. Tomé) e GTO Bissau (Guiné-Bissau).
Para além dos espectáculos dramáticos, o programa do festival reserva ainda a realização de oficinas, exposição fotográfica, shows, mostra de gastronomia e debates. “No dia 20 de Julho, o Espaço Sesc recebe o debate sobre o tema “A imprensa no universo teatral da língua portuguesa”, com mediação da crítica, ensaísta e professora Tânia Brandão, e, no dia seguinte, o Teatro Sesc Ginástico abriga “O diálogo do teatro dos países de língua portuguesa”, mediado pelo dramaturgo e roteirista Bosco Brasil, disse.
Referiu que o primeiro festival a promover o intercâmbio teatral entre países da língua portuguesa, o Festlip, realizado pela Talu Produções em parceria com a Rede SESC Rio, chega à sua terceira edição a comemorar, pela primeira vez, a participação maciça das nações lusófonas, nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
“É gratificante ver o crescimento e a consolidação do Festlip”, afirma a atriz e produtora Tânia Pires, idealizadora do festival. “Começamos com dez espetáculos de cinco países. No ano seguinte, tivemos a entrada da Guiné-Bissau e já somávamos mais de 400 grupos inscritos e 31 mil espectadores nas duas edições. Agora contabilizamos quase 800 inscrições e 15 peças que representam todos os integrantes da CPLP. É mais um passo no objectivo de estreitarmos os laços entre culturas tão distintas e ainda muito distantes”.
Este ano, a programação teatral circula novamente pelo Teatro SESC Ginástico, Espaço SESC e SESC Tijuca e se estende pelo SESC Rio Casa da Gávea e Caixa Cultural-Teatro Nelson Rodrigues.
Segundo Tânia Pires, o FestlipShow, sucesso de público nas duas primeiras edições, retorna mais uma vez ao bairro da Lapa, agora num espaço maior: o Teatro Odisséia. No espaço vão apresentar-se os brasileiros Teresa Cristina e Orquestra Voadora; o angolano Abel Duerê; o grupo moçambicano Cheny Wa Gune Quarteto, e o músico cabo-verdiano Hélio Ramalho. Completam a diversificada equipa musical o DJ MAM e Elisa Lucinda, que faz participação especial declamando poemas do escritor português Fernando Pessoa.
O Festlip conta com apoio do Ministério da Cultura do Brasil, Secretarias de Cultura do Estado e Município do Rio de Janeiro, FUNARTE, DGArtes-Ministério da Cultura de Portugal, Instituto Camões, CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e todas as embaixadas dos países participantes.
Homenagem Merecida
Uma das mais proeminentes actrizes de Portugal, Maria do Céu Guerra desloca-se ao Brasil, no próximo mês, com a premiada Companhia de Teatro A Barraca, que ajudou a fundar há 35 anos, para apresentar o espetáculo “Agosto-Contos de Emigração” e receber o troféu Festlip 2010, pela sua contribuição ao teatro em mais de quatro décadas de carreira.
Segundo o programa do Festlip, a actriz e directora da Companhia de Teatro A Barraca ministra ainda uma oficina teatral aos participantes do festival e a estudantes de teatro como ouvintes, nos dias 19 e 20 de Julho, no Espaço Sesc, em Copacabana.
Nascida em 1948, a actriz portuguesa Maria do Céu Guerra é considerada um dos maiores vultos do teatro contemporâneo. Depois de se ter estreado como actriz profissional na Casa da Comédia, e de ter participado em “O Tartufo” (1969), onde contracenou com Raul Solnado, Curado Ribeiro e Manuela Maria, esteve presente, em 1971, na fundação do Teatro Experimental de Cascais, um dos marcos do teatro independente português, onde participou em peças como “Auto de Mofina Mendes”, (1973), de Gil Vicente, e “A Casa de Bernarda Alba”, (1974), de Federico Garcia Lorca.
Depois de um curto período no teatro de revista, criou em 1975 o grupo “A Barraca” onde interpretou peças como “D. João VI” (1978) de Hélder Costa, “Calamity Jane” (1988), “A Cantora Careca” (1992) de Eugene Ionesco e “O Avarento” (1994) de Molière. Juntamente com “A Barraca” fez digressões bem-sucedidas pelo Brasil, Colômbia e Venezuela. As suas incursões no cinema e na televisão foram escassas: estreou-se cinematograficamente com “O Mal-Amado” (1972), tendo participado também na “Crónica dos Bons Malandros” (1984) e no “O Anjo da Guarda” (1999). Na televisão, para além da peça “O Pranto de Maria Parda” (1998) de Gil Vicente, protagonizou a série cómica “Residencial Tejo” (1999-2002).
Fonte: jornaldeangola.sapo.ao
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